Concha y Toro em Santiago

27 out

Concha y Toro

Concha y Toro

O Chile, com vinícolas centenárias, passou a ser um grande e conhecido produtor de ótimos vinhos a partir da modernização de suas bodegas, o que aconteceu a partir da década de 1990. Atualmente é um dos 10 maiores produtores de vinho do mundo e seus vinhos são considerados os melhores da América Latina. Sua uva mais conhecida é a Carmenère que atualmente é praticamente uma exclusividade chilena após ter sido erradicada da França por uma praga, mas as uvas Cabernet Sauvignon e Syrah são ainda responsáveis pelos melhores vinhos do país. A Pinot Noir também encontrou no país condições ideais para cultivo e costuma produzir ótimos vinhos.

A Concha y Toro se localiza em Pirque, na área que circunda Santiago, na região vinícola denominada Valle del Maipo. Foi fundada em 1883 por Melchor Concha y Toro e é uma das mais antigas vinícolas chilenas. Seus vinhos mais premiados são o Don Melchor, que já foi o quarto melhor vinho do mundo (Wine Spectator), Carmín de Peumo, que obteve a pontuação mais alta de um vinho chileno (The Wine Advocate, 97 pontos) e o Marqués de Casa Concha. Porém, seu vinho mais vendido no Brasil e no mundo é o Casillero del Diablo.

O Casillero del Diablo é produzido desde 1963 e é envolto de toda uma lenda criada dentro da própria vinícola que dizia que no local onde eram guardados os barris, habitava o diabo. A história é interessante e foi criada para evitar a enorme quantidade de furtos de vinho pelos próprios funcionários, o que aparentemente deu certo. Para quem faz alguma das degustações oferecidas pela vinícola, a história é contada com detalhes e com uma encenação que os turistas curtem bastante. A marca do vinho hoje é estampada na camisa do time de futebol inglês Manchester United.

A vinícola pode ser visitada qualquer dia da semana. Pode-se ir por agência de viagens ou por conta própria – de táxi, ônibus e ou metrô. A Concha y Toro oferece três opções de tour pela vinícola e degustação que são oferecidas mediante reserva em seu site. O mais básico deles é o Tour Tradicional que custa atualmente US$ 17 e dura uma hora. Este é o tour oferecido pelas agências. Se conhece a vinícola, seus principais pontos e são degustados dois vinhos que podem variar, mas normalmente é um vinho branco (Frontera Chardonnay) e um Casillero del Diablo tinto (Cabernet Sauvignon). De brinde o visitante ainda leva a taça que degustou um dos vinhos com o emblema da Concha y Toro.

O segundo tour é o Tour Marques de Casa Concha que custa um pouco mais que o dobro do anterior, US$ 36, e dura uma hora e meia. Neste tour, é feito todo o Tour Tradicional e depois todos vão para uma sala de degustação onde uma mesa de queijos finos individual os aguarda, juntamente com quatro taças. Cada uma das taças receberá um tipo de uva diferente do premiado vinho Marques de Casa Concha em ordem de degustação que seja possível perceber o paladar e o aroma de cada um sem interferência do vinho anteriormente degustado. A somelier dá uma aula de harmonização baseada na combinação de cada uva com cada queijo e responde a todas as perguntas na maior paciência – desde as mais básicas até as mais específicas. As quatro uvas normalmente degustadas, mas que podem mudar, são uma branca (Chardonnay) e três tintas (Syrah, Carmenère e Cabernet Sauvignon).

A última opção de tour é o Experiencia Don Melchor que custa US$ 139 e dura duas horas e meia. Este tour faz o Tour Tradicional, conhecendo pontos além deste pacote. Se degustam ainda espumantes, vinhos em teste e algumas safras do maior rótulo da Concha y Toro – o Don Melchor. Atualmente este tour só tem sido fechado para grupos de viajantes.

Comprar vinhos na vinícola é uma boa opção, principalmente para os que fazem o Tour Marques de Casa Concha que oferece um vale de desconto de 20% acumulativo para a compra de alguma garrafa deste rótulo. Outra vantagem é comprar mais de uma garrafa de qualquer vinho para ganhar descontos acumulativos também. Desta forma um Marques acaba saindo por cerca de R$ 35.

Como chegar?
Para aqueles que querem ir por conta própria, a combinação mais barata é metrô e ônibus. Pegue o metrô da linha 4 e desça na última estação Plaza de Puente Alto. No lado de fora da estação, pegue um ônibus de uma das linhas que vá para Pirque como 73, 80 ou 81. O ônibus custa cerca de CH$ 500, pagos somente em moedas. O trecho dura cerca de 10 minutos e o ponto do ônibus é em frente à vinícola. Para aqueles que querem optar pelo táxi, a partir da Plaza de Puente Alto a corrida sai por volta de CH$ 1.500.

Havanna em Curitiba

2 out

Havanna

Havanna

Em minha última visita a Curitiba, tive o prazer de saber da existência da loja argentina Havanna na cidade, muito conhecida pelo seu tradicional alfajor. A Havanna é sempre ponto de visita obrigatório quando se visita a Argentina e, para mim, agora o será também em Curitiba.

Para quem não conhece a Havanna, a empresa é famosa por seus deliciosos doces, principalmente seu mais conhecido alfajor recheado com um delicioso doce de leite argentino. Junto com o alfajor, fazem a fama da empresa seus havannets, um delicioso cone recheado de doce de leite, e deliciosos chocolates. Com o surgimento do Havanna Café, a marca passou a ser conhecida também por diversas receitas de cafés especiais. Desde 2006 a Havanna vem expandindo sua atuação no Brasil. Iniciou com a criação de algumas lojas em São Paulo e agora está presente também em Curitiba, com dois pontos, um quiosque no Shopping Moeller e uma loja com direito a doces e cafés no Shopping Curitiba. Infelizmente, para nós cariocas, parece estar longe ainda de nossa cidade.

O cardápio da Havanna de Curitiba não é dos maiores, mas as opções são excelentes. Tem duas tortas de doce de leite que pareciam ser sensacionais. Acabamos provando uma cheesecake de dulce de leche maravilhosa. Na verdade é doce de leite com cheesecake de tanto doce que vem na bem servida fatia. Até quem não curte como eu lambe os beiços. O preço é R$ 13, um pouco caro, mas vale cada centavo!

Para acompanhar nossa torta, pedimos um espresso com dulce de leche e um mocha café. O mocha é comum, mas o espresso fica perfeitamente adocicado e ainda sobra uma boa colherada do doce. E ainda deu pra levar um alfajor pra casa…

Um Feriadao em Florianopolis

22 set

Praia de Matadeiros

Praia de Matadeiros

No fim do ano estivemos, eu e Vanessa, em algumas cidades do sul do Brasil. Entre elas, ficamos cerca de quatro dias em Florianópolis. Apesar de não ter sido um feriadão, é um roteiro que se encaixa em qualquer feriado prolongado.

Saímos de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e seguimos até Florianópolis de ônibus em uma viagem que durou por volta de 9 horas com a empresa Santa Cruz. Chovia e ventava muito na estrada, o que nos deixou tensos a jornada inteira. Chegamos na rodoviária de Floripa um pouco antes das 7h manhã e seguimos de táxi até o aeroporto onde pegaríamos nosso humilde Palio que havíamos reservado com a Mobilità, pagando uma cara diária de R$ 103 (contando com o seguro). Dica: se for alugar um carro em Floripa no fim de ano ou alta temporada, veja com pelo menos um mês de antecedência! Vimos com 15 dias e já não havia carros disponíveis, foi difícil encontrar um e, por isso, o alto preço.

A melhor forma de otimizar um roteiro por Florianópolis é percorrer a ilha em partes – norte, centro e sul. A ilha é grande, portanto não tente fazer mais de uma parte por dia, senão não irá aproveitar muita coisa. Outro detalhe é que as praias do leste da ilha, ou seja, as que estão viradas para o alto-mar são limpas, de águas geladas e normalmente com boa condição de surfe. Já as praias do oeste que são viradas para a área continental são geralmente sujas. Isso faz com que as praias do extremo norte e sul sejam altamente visitadas por suas águas limpas, tranquilas e quentes. Baseado em tudo isso, escolhemos duas ou três praias pra conhecer por dia.

Praia da Solidão

Praia da Solidão

Começamos nosso primeiro dia partindo para o sul da ilha. Às 8h já estávamos na Praia da Solidão, uma praia pequena e bem reservada. A praia é bonitinha, mas nada demais. Do final desta praia é que sai a trilha de quase duas horas que vai para a praia de Naufragados. É a praia mais intocada de Floripa e uma das mais belas. Infelizmente não pudemos ir até ela, mas pelo que dizem, vale a pena! Talvez o maior motivo para visitar esta região.

Depois de curtir um pouco a praia, pegamos o carro e subimos no mapa até a Praia da Armação. A praia em si não é das melhores, pois a faixa de areia é bem pequena e encosta nas construções. Porém, logo ali do lado a 5 minutos a pé está a lindíssima Praia de Matadeiros e, entre as duas, há um belo conjunto de pedra, terra e vegetação de onde se tem uma linda visão das duas praias. Lindo demais! De Matadeiros também parte uma trilha para Lagoinha do Leste.

Lagoa da Conceição

Lagoa da Conceição

Ficamos horas nesse conjunto de praias e vegetação, foi maravilhoso! Já no fim da tarde fomos conhecer nossa aconchegante pousada em Lagoa da Conceição. O Residencial Estrela do Mar saiu a um preço muito bom para alta temporada – R$ 120 por dia. A pousada é pequena, mas toda bonitinha e o pessoal que lá trabalha é muito atencioso. Ainda conta com uma pequena cozinha em cada quarto o que ajuda a economizar na comida que não é das mais baratas em Floripa, além da localização privilegiada. Ficar em Lagoa da Conceição, principalmente quando se está de carro é a melhor opção! O lugar é super bacana, sempre movimentado e fica no centro da ilha, podendo se deslocar facilmente para o sul, norte ou para o centro da cidade que é próximo. Essa primeira noite jantamos uma pizza em casa, pois o cansaço do dia inteiro e mais a noite mal dormida bateram.

Dia seguinte, levantamos por volta de 9h, tomamos café e partimos para o norte da ilha. Começamos nossa rodada de praias por Jurerê, uma praia de águas quentes e tranquilas, porém com a areia super agitada. Estavam lá muitos turistas – brasileiros do sul e sudeste, além de estrangeiros, principalmente argentinos. A praia é muito gostosa e comprida, cansando um pouco percorrê-la de uma ponta à outra. Ficamos do lado direito da praia, mais família e tranquila, mas andar até a outra ponta cansou tanto que desistimos de ir até a Fortaleza São José da Ponta Grossa que dizem ser linda! Na beira da praia também fica a P12, uma das boates mais famosas de lá. Acabamos não indo à noite, mas de dia já dá para ver que deve ficar linda à noite.

Praia de Jurerê

Praia de Jurerê

De Jurerê podíamos ter ido a Canasvieira, mas a experiência do meu irmão nessa praia foi tão frustrante que seguimos até Lagoinha, um pouco mais distante. Adoramos essa praia! Água quente e tranquila com vários quiosques na areia onde comemos excelentes pasteis de camarão com uma gostosa cerveja. É uma praia mais família, mas cheia de turistas também, principalmente nuestros hermanos argentinos. Deliciosa!

Pegamos o carro e voltamos para a pousada para tomar um banho e trocar de roupa, pois logo mais iríamos até a Ponte Hercílio Luz. Ela é linda à noite! Aproveitamos para passear pela orla onde muitos manezinhos praticam exercícios. Andamos um pouco de carro pelo centro da cidade, mas estava um pouco deserto. Tentamos comer alguma coisa, mas já passava das 22h e muita coisa já estava fechada. Voltamos para a Lagoa da Conceição e comemos uma deliciosa pizza no restaurante Mão na Massa, charmoso e pequeno.

Praia da Joaquina

Praia da Joaquina

Terceiro dia de praia ficamos pelas mais centrais. De manhã fomos até a Praia do Campeche que é bonita, mas sua maior atracão é a Ilha do Campeche que fica em frente à praia. Para chegar lá tem que se pegar um barco no Porto da Barra ou encarar um dos botes motorizados que saem da praia. Tem gente que vai na boa de stand up paddle, não é tão longe. Infelizmente não fomos, ficamos com medo do bote e não conseguimos vencer a preguiça e voltar até o Porto da Barra.

Partimos então para a Joaquina. Pegamos um trânsito pesado até lá, dizem que todos os dias de verão são assim… Depois de um certo perrengue para estacionar o carro, chegamos finalmente nas areias da praia! A praia é linda, me lembra um pouco a Praia do Arpoador aqui no Rio, só que é cheia demais, seja nas areias, nos restaurantes ou na água. Demos uma volta pelas pedras, um pequeno mergulho e fomos almoçar em um dos restaurantes da praia um excelente peixe frito. Queria provar a famosa sequência, mas Vanessa estava um pouco enjoada. Voltamos, curtimos bastante a praia e quando o sol baixou um pouco, fomos fazer o tradicional sandboard nas dunas da Joaquina. Foi muito bom! Como tínhamos investido bastante tempo nesta praia, acabou que não fomos à Praia Mole depois. Por um lado foi até bom, pois pudemos desfrutar bem da praia e suas atracões e ainda pegamos um belo pôr do sol! Para finalizar, um tradicional caldo de cana com limão, coisa que só vi pelo sul do Brasil. À noite arrumamos as malas e comemos algumas besteiras, pois dia seguinte acordaríamos muito cedo!

Em nosso último dia em Florianópolis, acordamos cedo para devolver o carro sem multas no aeroporto. De lá, pegamos um ônibus comum até a rodoviária, onde deixamos nossas malas e partimos para o centro da cidade conhecer suas atracões. Da rodoviária até essa região histórica do centro é só atravessar uma passarela.

Ponte Hercílio Luz

Ponte Hercílio Luz

O centro de Florianópolis não é muito turístico, mas é interessante. No máximo em meio dia se conhece tudo. Passeamos pela PRaça XV de Novembro, fomos à bonita Catedral, visitamos o Museu Histórico de Santa Catarina que não nos agradou, vistamos a antiga Alfândega e finalizamos nosso passeio, depois de nos perdermos um pouco pelas ruas, no Mercado Público, onde comemos uns petiscos e um chopp bem gelado para celebrar nossa deliciosa passagem por Florianópolis!

Florianópolis

Florianópolis

Santiago

14 jun

Los Caracoles

Los Caracoles

Ah, a cordilheira, sua linda! Que lugar mágico! Mais uma vez percorria alguma estrada pela Cordilheira dos Andes e, como era de se esperar, mais uma vez suspirava de amores por ela. Desta vez, a atravessava a partir de Mendoza em direção a Santiago. E o mais incrível – conseguimos pegar os melhores lugares do ônibus, acima do motorista curtindo aquele visual mágico sem ninguém na frente. Percorremos tudo que já havíamos passado no dia anterior até chegarmos à fronteira, onde ficamos cerca de meia hora realizando os trâmites necessários. A estrada depois desse ponto se torna mais emocionante – um túnel gigantesco cravado na cordilheira e a parte da rodovia chamada de Caracoles, na altura de Portillo. Os caracóis são impressionantes e parecem nunca ter fim. Demais!

Mais um pouco de estrada atravessando diversas vinhas, chegamos a Santiago. Como já conhecia bem a cidade, pegamos o metrô da rodoviária, descemos em Bellas Artes e seguimos para o Hostel Forestal. O albergue é bem localizado, muito próximo ao Parque Forestal e à Calle Pio IX, onde rola o agito de Bellavista. Ficamos em um quarto de casal com banheiro, ambos espaçosos, mas poderia ter um ventilador no quarto, pois no verão, durante o dia, se faz necessário. O banheiro ficou a desejar – o chuveiro funcionava mal até eu arrumar um jeitinho e a descarga quebrou três vezes em cinco dias. Na terceira eu mesmo consertei e aí não tivemos mais problemas. As paredes dos quartos deixam passar um pouco do barulho do albergue e pode atrapalhar quem tem sono leve quando há hóspedes barulhentos. A equipe é prestativa – incluindo um baiano gente boa – e o café da manhã consegue encher a barriga, apesar de não ter nada demais. Pelo preço, acho que dá pra achar uma infra-estrutura melhor.

Virgem Maria

Virgem Maria

Deixamos as coisas no albergue e fomos almoçar no KFC, péssimo! Acho que foi o pior fast food que já fui na vida. Nada a ver com os que existem fora do Chile. Fomos passear por Bellavista, passando pelo Pátio Bellavista, La Chascona, que só tinha horário para o dia seguinte, e o Cerro San Cristóbal, onde subimos de funicular, visitamos o Santuario de La Inmaculada Concepción onde está a estátua da Virgem Maria e apreciamos a vista da cidade de Santiago que, mais uma vez, só consegui ver seu famoso cinza. Aproveitei para tomar o mote con huesillos, bebida gelada super tradicional no Chile e que ainda não havia experimentado, pois a cara não é das melhores. Mistura trigo, refresco doce e pêssego desidratado. Tirando o trigo, que só dá para aguentar comer um pouco, é ótimo. Ah, faz quase três anos que o teleférico que ligava o cerro ao Parque Metropolitano não funciona mais. Uma pena! Agora só a pé. À noite fomos assistir a infeliz derrota do Vasco para o Nacional do Uruguai pela Libertadores da América em um bar tomando uma Escudo horrorosamente morna, costume chileno. Depois seguimos para o Fabrica de Pizza, uma deliciosa pizzaria de rua na própria Pio IX. Recomendo!

La Chascona

La Chascona

Começamos nosso segundo dia em Santiago visitando La Chascona, a famosa casa de Neruda e Matilde, que era sua amante até criarem a lei do divórcio no país. Esta era a casa onde morava escondida e Neruda a vinha visitar. É uma casa bem romântica por toda sua história e detalhes, pois todos seus objetos e aposentos fazem referência a alguma coisa de sua vida ou foram projetado de acordo com a época em que viviam – primeiro como amantes e depois como casados, além das mudanças de quando foram perseguidos pelo governo. Adorei revisitar a casa! De lá pegamos um metrô até o Palácio La Moneda, onde tiramos a clássica foto com o bandeirão do Chile e visitamos uma exposição no seu centro cultural sobre Roberto Matta, o artista chileno mais renomado, que acabamos não curtindo muito.

Do palácio percorremos as bonitas calles Nueva York e La Bolsa, a Paseo Ahumada, rua de pedestres movimentadíssima e alma do centro da cidade, até a Plaza de Armas, onde visitamos a histórica e bonita Catedral. Tentamos visitar o Museo de Arte Precolombino, que considero o melhor museu chileno, mas descobrimos que estará fechado para obras até o primeiro trimestre de 2013. É uma pena!

Fomos almoçar no Mercado Central um delicioso pescado ao molho de camarão no La Perla del Pacífico como da última vez que comi ali, porém desta vez estava um pouco mais caro. Cada prato saiu por $6.000, provavelmente o mais caro que comemos em Santiago. Na volta conhecemos o novo shopping Mall del Centro e Vanessa aproveitou para comprar roupas na Ripley que estava com preços melhores que a Falabella, mas ambas estavam muito mais baratas que em Buenos Aires. Tinha excelentes calças jeans a $7.500, cerca de R$30!

Resolvemos pegar o metrô e ir passear por Vitacura e Las Condes, terminando nosso passeio no Parque Arauco, o shopping bacana de Santiago. Na volta, tivemos a oportunidade de ver a cordilheira iluminada com um lindo tom avermelhado do pôr do sol. À noite saímos para tomar o tradicional pisco sour no Bar Constitución na rua de mesmo nome, mas nem estava bom. Além disso, a comida cara nos fez repetir a gostosa pizza da noite anterior no Fabrica de Pizza.

Degustando o Marques de Casa Concha

Degustando o Marques de Casa Concha

Acordamos um pouco mais cedo para ir à Concha y Toro e pegar o tour que é chamado de Premium. É uma degustação mais cara, $17.000, mas que vale muito mais a pena do que a comum. Experimentamos dois vinhos mais comuns, conhecemos as caves da vinícola com a história do Casillero del Diablo e só então fomos fazer a degustação exclusiva com a sommelier, onde tomamos quatro vinhos da ótima linha Marques de Casa Concha. Todos muito bons e acompanhados de 4 tipos diferentes de queijo e pastas. A sommelier deu uma aula e, por mais que já tenha ouvido várias pessoas em diversas ocasiões de degustação, foi a melhor aula de vinho que já tive. Aprendemos de tudo um pouco – até sobre queijo e chocolate para acompanhar o vinho! Recomendo a todos.

Cerro Santa Lucía

Cerro Santa Lucía

Dividimos um táxi com um casal paulista até o metrô e de lá fomos até o albergue deixar nossas recém-adquiridas garrafas. Almoçamos e fomos passear mais pelo bairro onde estávamos hospedados. Passeamos pelo agradável Parque Forestal e fomos ao Museo de Bellas Artes onde estava rolando mais uma exposição de Roberto Matta, além das obras fixas do museu. De lá andamos até o Cerro Santa Lucía que estava com uma bonita vista da cordilheira com parte nevada. Gosto muito deste cerro, acho bem agradável ficar relaxando na grama e curtindo o movimento e a paisagem. Demos uma volta por Lastarria e voltamos ao albergue.

Dia seguinte, não conseguimos acordar tão cedo quanto gostaríamos, mas mesmo assim arriscamos ir até a rodoviária na estação Pajaritos para ver se conseguiríamos ir ao litoral ainda. Acabamos comprando passagem somente para às 10h45, pois era sábado e a rodoviária estava lotada de gente querendo ir à praia. Vale a pena se ligar nisso! Verão e fim de semana unidos em Santiago resulta em praia.

Muelle Prat

Muelle Prat

Chegamos em Valparaíso por volta de 13h. O horário não era o melhor, mas como já conhecia, guiei a Vanessa pelos que considero melhores pontos. O clima também não estava dos melhores reforçando a teoria de que Valpo e Viña possuem sempre o clima contrário de Santiago que fazia um tremendo sol. Fomos andando da rodoviária até a parada de metrô mais próxima, de onde seguimos para a estação final a fim de conhecer parte do porto de Valparaíso. Andamos pela Plaza Sotomayor e pelo Muelle Prat, onde tive uma visão um pouco diferente da outra vez que aqui estive. Por ser domingo, o porto estava cheio de famílias passeando, curtindo o pequeno parque, visitando a concorrida feira de artesanato e embarcando para fazer passeios de barco para alguns pontos de Valpo. Foi um clima bem agradável. Não pegamos o ascensor Artillería, o mais antigo da cidade, pois eu já conhecia e Vanessa ficou com medo. Então seguimos para a casa de Neruda.

A casa de Neruda em Valpo foi nomeada por ele próprio de La Sebastiana. Da casa é possível ver o Pacífico e uma bonita visão das casas coloridas no relevo montanhoso da cidade. Assim como na casa de Santiago, os objetos da casa possuem sempre um significado na vida do poeta e faz da casa uma própria poesia. Fomos a pé até a casa, atravessando a bonita Plaza Victoria e subindo uma ladeira que não parece ter fim, mas que recompensa quando se chega ao objetivo. Descemos e pegamos o metrô até Viña.

Moai

Moai

Descemos do metrô próximo ao Reloj de Flores para tirarmos a tradicional foto de Viña. O relógio de flores tem uma história curiosa, pois foi um presente da Suíça pela Copa do Mundo realizada no Chile em 1962 onde Viña foi uma das cidades sede. Dizem que foi uma homenagem também a Pelé, grande craque daquela Copa e que se atrasava sempre para chegar nos treinos da seleção brasileira. De lá fomos andando até o Casino Municipal, localizado em frente à Playa El Sol, na ponta de Viña del Mar e caminhamos pela praia até o Muelle Vergara, a partir de onde a praia possui melhor condição de banho. Mesmo assim não tivemos coragem de arriscar, pois apesar da praia estar cheia, estava frio e já conhecia a água gelada do Pacífico… Terminamos nosso passeio no Museo Arqueológico Fonck, dedicado a objetos e costumes da Ilha de Páscoa. Na porta do museu também está um moai, uma grande estátua rapa nui, uma das duas únicas que estão fora da ilha – a outra está em Londres. Nossa ideia era ir até a Quinta Vergara, mas não tínhamos mais tanto tempo, pois em cerca de uma hora nosso ônibus partiria de volta para a capital.

À noite, já de volta à cidade, fomos jantar em um restaurante na Calle Constitución onde tomamos uma garrafa de Casas del Toqui para celebrar nosso último dia de viagem, pois foram 21 dias maravilhosos! Dia seguinte embarcaríamos de volta para o Brasil…

Santiago

Santiago

Mendoza

23 mai

Plaza San Martín

Plaza San Martín

Chegamos em Mendoza às 8h30 em um ônibus noturno da El Rápido que saiu de Buenos Aires 14h antes. A passagem foi cara, $420, ou seja, um aumento absurdo de 35% em relação a 5 anos atrás quando fiz o mesmo trajeto. A viagem foi tranquila, mas com um início tumultuado, pois o ônibus parou em outras três rodoviárias nas redondezas de Buenos Aires antes de pegar a estrada. No trajeto ainda curti uma bonita e tensa tempestade de raios com parte da cordilheira como cenário de fundo.

Deixamos nossas mochilas no hotel enquanto liberavam o quarto e fomos tomar café na Peatonal Sarmiento, passando pra tirar umas fotos pelas plazas Chile e San Martín. Tomei um smothie de naranja que estava na moda neste verão argentino no Bonafide, bem gostoso! A cidade ainda estava acordando, poucas pessoas nas ruas e as cafeterias ainda abrindo as portas. Aproveitei para apresentar as outras praças, a España e a Italia, para a Vanessa. Às 10h30 voltamos para o hotel, pois nossos quartos já estavam prontos para nos receber.

Ficamos no Hotel Petit. Foi a primeira vez que ficamos em um lugar somente com as avaliações do TripAdvisor como referência, pois não vi nada no Mochileiros ou em outros guias. Foi um ótimo custo benefício! É tudo bem limpo, um banheiro agradável e um quarto pequeno, mas suficiente. As atendentes a princípio parecem estranhas, mas logo se mostram solícitas. E é muito bem localizado, pois está ao lado da Plaza Chile. Descansamos, fizemos um lanchinho e fomos passear mais um pouco pela cidade.

Parque San Martín

Parque San Martín

Andamos pelas principais ruas e pela Plaza Independencia, a principal da cidade. As praças continuam lindas e bem cuidadas, agora com mais segurança! Depois começamos a procurar uma agência para fazer o Alta Montaña com as Curvas de Villavicencio e com trekking no Parque Provincial Aconcágua, mas essa combinação é bem exclusiva e só encontramos uma que fazia por caríssimos $360. Acabamos deixando para resolver no dia seguinte, o que depois se mostrou como um erro nosso. Partimos então para o Parque San Martín onde queríamos ir de bicicleta, mas a única loja que encontramos aberta no domingo não possuía bicicletas femininas e, já dentro do parque, descobrimos que estava proibido alugar dentro do parque, opção que tinha dado certo na outra vez que estive lá. Ficamos a pé mesmo… Confesso que o tremendo calor que fazia também não animou muito.

O parque é lindo e ótimo para relaxar debaixo de uma sombra onde o calor fortíssimo do verão mendozino não te pegue. Infelizmente com o calor e sem a bicicleta não conseguimos andar por todo o parque, mas vale muito a pena! Nesta primeira noite jantamos no Faustino um delicioso lomo com direito a uma garrafa de vinho Finca Las Moras que achamos bom.

Dia seguinte fomos fazer degustação em algumas vinícolas em Maipu de bicicleta. Usamos o serviço da Orange Bikes cuja funcionária conhecemos no ônibus, pois nos ajudou a trocar algumas moedas. O pessoal lá é bem legal e prestativo. Chegar nesta área de Maipu é fácil, basta pegar algum dos ônibus do Grupo 10 das linhas 171, 172 ou 173 e avisar o motorista. Mesmo se não avisar, se ficar ligado não tem erro, pois o ônibus passa em frente às empresas que alugam bicicletas.

Trapiche

Trapiche

Começamos a degustação indo na mais próxima, a La Rural, para já testar a magrela. É uma bodega bem artesanal com um pequeno museu de vinho. Lá não pagamos nada e ainda degustamos o vinho Museo, que é gostosinho. De lá voltamos pelo caminho até a Trapiche, provavelmente a mais conhecida aqui no Brasil deste roteiro de bike. Ficamos encantados com o lugar, repleto de história e beleza. Degustamos por $35 três excelentes vinhos – Medalla, Ciento Veinte Años e Gran Medalla. O Gran Medalla foi o melhor vinho branco que já tomei, sem dúvidas! Saímos de lá com 2 garrafas, sendo uma de brinde.

De lá seguimos o caminho mais longo, sem paradas, por 12km até chegarmos à CarinaE. Além de mostrar o processo de fabricação e as vinhas, há várias opções de degustação e acabamos optando por uma que incluía alguns vinhos reserva. Foram 5 vinhos dos quais optamos por comprar uma garrafa, mais de lembrança do que por gosto. Custou $50 e, além de ser a mais cara, foi a que menos gostamos. Não recomendaria ir tão longe por ela. Em frente à CarinaE, se encontra a Laur, uma olivícola que acabamos não indo, pois Vanessa não se interessou tanto e eu já a havia visitado.

Almoço na Familia Di Tommaso

Almoço na Familia Di Tommaso

Pegamos o caminho de volta e fomos conhecer a Familia Di Tommaso, onde conhecemos essa bodega artesanal e degustamos 4 bons vinhos por $20. Eles possuem um vinho no estilo vinho do Porto delicioso, mas acabamos por trazer uma garrafa mais barata. De lá voltamos pelo penoso caminho onde Vanessa já meio tonta e com muito medo da estrada caiu da bicicleta e quase prejudicou algumas garrafas. Felizmente foi só um susto. No final do percurso decidimos passar ainda na Tempus Alba, onde fomos pessimamente recebidos e, depois de andarmos um pouco por lá, desistimos da degustação. A bodega é uma graca, mas a recepção nos dececionou muito. Mais uma pedalada, novo choro da Vanessa e estávamos de volta à Orange Bikes, nosso ponto de partida, onde descansamos tomando um vinho da casa e batendo papo com a certeza de ter vivido um excelente dia!

Estrada da Cordilheira dos Andes

Estrada da Cordilheira dos Andes

Reservamos nosso penúltimo dia na cidade para fazermos o famoso tour Alta Montaña, pois acabamos não conseguindo um para fazer o trekking de três horas no Parque Aconcágua. Novamente fiz esse passeio mágico que é percorrer a Cordilheira dos Andes, mais uma vez achei imperdível! Paramos no ziguezague da cordilheira em Poterillos para ver o famoso lago artificial que armazena grande parte da água de Mendoza, que desce até as vinícolas e, posteriormente, à cidade de Mendoza. De lá fomos até a cidade de Uspallata, a maior nas montanhas onde reforcamos o café da manhã e apreciamos suas belas árvores,

Aconcágua

Aconcágua

A partir deste ponto a vegetação muda, tornando-se bastante árida. Paramos em Los Penitentes, a maior estação de esqui da região, para conhecê-la. Só havia neve nos picos, então não a tocamos. Seguimos então para o Mirador Aconcágua onde apreciamos a tradicional vista do ponto mais alto das Américas. Lindo demais! Desta vez não havia neve no mirante, bem diferente da outra vez em que aqui estive.

Puente del Inca

Puente del Inca

Seguimos até Las Cuevas, onde paramos na volta, e de lá seguimos pela estrada antiga que ligava a Argentina ao Chile até o Cristo Redentor de Los Andes, a estátua que celebra a paz entre os dois povos e abençoa a cordilheira. Da outra vez que estive aqui era tanta neve que nem tínhamos passado de Las Cuevas. A vista do Cristo é bem legal, com várias montanhas nevadas em seu entorno, só que um vento gélido varre o local. Frio demais! Isso e mais a altitude dá uma canseira… Almoçamos um sanduba em nossa parada em Las Cuevas e seguimos para Puente del Inca, onde tem uma feira de artesanato e o ponto mais que turístico que dá nome à região – a Puente del Inca, uma estrutura naturalmente lapidada pela erosão que forma uma espécie de ponte que atravessa um rio. No local também pode ser vista uma capelinha de pé, a única estrutura do hotel que havia no local intacta após um terremoto que destruiu tudo que ali havia. Esta foi nossa última parada antes de voltarmos a Mendoza.

Esta noite jantamos um excelente prato no Giovanni’s acompanhado de um bom vinho Omnium. Ambiente bem aconchegante. No final, uma boa surpresa – tudo saiu a $150! Realmente se come muito bem a um bom custo. E para finalizar, dia seguinte, de manhã cedo, embarcamos para percorrer novamente a cordilheira, mas desta vez a atravessaríamos até Santiago, no Chile. Que visual…

Mendoza

Mendoza

Buenos Aires

30 abr

Vista de Buenos Aires

Vista de Buenos Aires

Atravessamos de Colonia del Sacramento até Buenos Aires com a empresa Seacat. Atravessar o Rio da Prata foi uma experiência gostosa, tranquila e rápida – em menos de uma hora já estávamos em solo argentino. A empresa é boa pelo preço, mas o barco não é lá grandes coisas, modelo similar aos aerobarcos que fazem a travessia Rio-Niterói e Salvador-Itaparica. A passagem custou UR$ 818.

Do porto pegamos um táxi até o Portal del Sur, albergue na região central de Buenos Aires próximo ao Café Tortoni e à Plaza de Mayo. À primeira vista, o albergue assusta, pois fica em um prédio antigo e a entrada é feia e com muito fedor de cigarro. Porém, uma vez lá dentro, a aparência é outra bem diferente. Parte do albergue é baseada no conceito de albergue-boutique, bem bacana. O espaço do terraço também é muito bom pra tomar uma cerveja e relaxar ao som de uma boa música. Ficamos em um quarto boutique desses para casal. O quarto é bem bonito, com ar condicionado (um pouco temperamental), boas camas e TV, só o banheiro que é bem ruim – um cheiro insuportável de mofo devido a um espelho velho e um box tão apertado que não tinha como tomar banho sem encostar na cortina ou na parede, além do chuveiro que jogava água pros lados ao invés de para baixo. O banheiro desanimou, mas poderia ser suportado por alguns dias. Porém tivemos um problema grave que conto mais a frente…

Saímos para jantar e ficamos um pouco ligados, pois havia poucas pessoas na rua e estranhamente quase tudo estava fechado. Andando nas outras noites por ali percebemos que o motivo era ser segunda-feira. Acabamos comendo no Mc Donald’s, uma das poucas coisas abertas.

Casa Rosada

Casa Rosada

Como não era a minha primeira vez em Buenos Aires, apenas da Vanessa, me organizei para levá-la no que considero as melhores atrações e os pontos obrigatórios. Assim, iniciamos o dia pela Plaza de Mayo, passando pela Casa Rosada e a Catedral, onde acabamos vendo a troca da guarda do túmulo de San Martín! De lá seguimos pela Avenida de Mayo, cruzamos a 9 de Julio e chegamos à Plaza del Congreso que, apesar de não me interessar muito, estava em obras quando a conheci. Me surpreendeu, está bem bonita e cuidada. Outro interesse nosso por aqui era o Ibis, caso não conseguíssemos viver com o banheiro do albergue. Ainda bem que fizemos isso…

Obelisco

Obelisco

Do congresso seguimos para a fraternal Plaza Lavalle onde se encontra o Teatro Colón. Nossa ideia era conhecer o teatro por dentro, mas como o próximo horário disponível era só em duas horas e o preço estava surreal, desistimos. Seguimos até o Obelisco para tirar uma tradicional foto neste marco da cidade. Fomos pela Avenida Corrientes até o Teatro San Martín, que tinha gostado muito em minha visita anterior, mas desta vez a exposição estava caidíssima e com o calor que estava Buenos Aires, não rolou nem um café pra valer a visita ao local.

Torre de Los Ingleses

Torre de Los Ingleses

Andamos pela Calle Lavalle até a Calle Florida, rua obrigatória pra quem está na cidade, ainda mais se for do sexo feminino! Lotada como sempre, então tem que estar sempre ligado. Vimos um rapaz ser preso em flagrante… Passeamos pelas lojas, pela bela Galerias Pacífico e acabamos almoçando nesta região mesmo, no Capataz, que não foi barato e razoável. Fomos mais por falta de opção naquele momento em que a fome tinha apertado. De lá, seguimos pela Florida até a Plaza San Martín onde tiramos algumas fotos da praça e seu entorno, inclusive a Torre de Los Ingleses e o Monumento a Los Caídos en Malvinas. Fomos à rodoviária comprar nossas passagens para Mendoza e fiquei espantado com a favelização do local, aumentou demais em relação a 5 anos atrás. A rodoviária também era mais organizada.

Depois de passearmos mais um pouco pela Florida, Vanessa comprar algumas coisas e tomar um café tipo americano na Havanna, que por sinal, não curti muito, caiu uma tempestade na cidade. Choveu forte por cerca de 2 horas e alagou muitas ruas. Ficamos completamente encharcados! E o pior de tudo foi chegar no albergue e descobrir que nosso quarto estava alagado, com tudo o que estava no chão, molhado – inclusive nossos mochilões. O meu não molhou nada dentro, mas o dela deixou úmidas as roupas que estavam em contato com a parte molhada. Sugeriram nos remarcar para um quarto coletivo onde já havia um rapaz enquanto fariam o conserto do quarto para o dia seguinte. O pessoal foi super atencioso conosco, mas, sinceramente, não havia condições deles consertarem toda uma estrutura de madeira em um dia e, como já não tínhamos gostado de algumas, aproveitamos para mos mudar sem pagar a diária. Soubemos inclusive que o problema já ocorria a pelo menos 2 meses. Eles foram tão atenciosos que acabamos esquecendo de negociar o pagamento da primeira diária, afinal tínhamos coisas molhadas e precisavam ser secas…

O caos estava instalado na cidade. Os jornais mostravam partes da cidade inundadas. Tentamos chamar um táxi para sair do albergue, mas a previsão de espera era de 1h30.Tomamos uma Quilmes enquanto esperávamos a chuva diminuir e decidíamos o que fazer, afinal já passava das 22h. Quando virou um chuvisco, pegamos nossas coisas e fomos até o Ibis da Plaza del Congreso de metrô. Apesar da reforma que havíamos visto durante o dia que mudaram para melhor o clima do local, à noite e com chuva os mendigos concentram-se embaixo das marquises, ou seja, na calçada. Andamos um pouco tensos pelo local, mas chegamos tranquilamente no hotel.

O Ibis Buenos Aires, na Plaza del Congreso, é um hotel de bom custo benefício na cidade. Custou R$ 5 a mais do que o albergue, mas neste valor não estava incluído o café da manhã. O quarto e o banheiro são excelentes, com certeza foi a melhor hospedagem da viagem. Tudo muito limpo. Inclusive fomos bem atendidos pela recepcionista que se esforça em falar português. Realmente só o que não achei bom foi a localização que não é ruim, mas o outro Ibis é muito melhor localizado.

Cementerio de La Recoleta

Cementerio de La Recoleta

Amanheceu e fomos tomar café da manhã em uma gostosa padaria próxima ao hotel, a Soy y Luna. Gostamos tanto de lá e do atendimento que foi onde também tomamos café nos dias seguintes. Resolvemos nesse dia atravessar o Centro até a Recoleta. Fomos ao Buenos Aires Design e ao Museo de Bellas Artes. O museu, que já havia gostado da outra vez, está todo reformado e bem cuidado, ou seja, melhor do que esperava. Foi muito bom revisitar obras de El Greco, Kandinsky, Monet, Rembrandt e Van Gogh, entre muitos outros. Subimos até a Basílica Nuestra Señora del Pilar e ao Cementério de La Recoleta que apenas entramos rapidamente, pois eu já o conhecia bem e a Vanessa não se interessou muito. Passeamos um pouco pelo bairro, comemos e fomos até o MALBA que, mais uma vez, se mostrou realmente ser o melhor museu da cidade. Além de revisitar as obras fantásticas do museu como as de Tarsila, Rivera e Xul Solar, estava rolando uma exposição encantadora do artista Carlos Cruz-Diez, que estuda as cores de forma que nunca havia visto antes. Fomos a um shopping ali por perto e tentamos ir ao Jardín Japonés que já havia fechado. Tentamos ir ao Museo Evita também, mas não estava aberto naquele dia por um evento político. Desistimos e voltamos para nosso hotel, pois o tempo já estava fechado novamente. Não deu outra, pé d’água de novo e a cidade em mais caos que o dia anterior. Por sorte só pegamos chuva da estação de metrô até a entrada do hotel. Jantamos no hotel por falta de opção já que mais uma vez era impossível sair.

Zoo de Luján

Zoo de Luján

Tentamos acordar cedo para ir a Luján, mas não conseguimos. Acabamos chegando só às 10h na Plaza Itália, de onde saem os ônibus para Luján. Por sorte conseguimos pegamos o das 10h15, pois agora saem a cada meia hora. A viagem até lá é bem cansativa e demora quase 2h. O Zoo de Luján é um zoológico onde se pode entrar na jaula de diversos bichos. A entrada é cara e custa $50, mas vale cada centavo! Ficamos no zoológico por cerca de duas horas e meia. Visitamos todos os animais possíveis, assim como também entramos em todas que eram permitidas, entre as quais se destacaram as dos tigres, leões, leoas e do elefante! Fantástico!

Parque 3 de Febrero

Parque 3 de Febrero

Voltamos para Buenos Aires pegando o mesmo ônibus que viemos. A van que de vez em quando passa por lá e pode ser agendada custa $26 cada perna e o ônibus $10. Descemos no ponto final, na mesma Plaza Itália, e fomos andar novamente por Palermo. Fomos ao parque que mais curto na cidade, o 3 de Febrero, passando pelo Rosedal. Devido às chuvas, uma parte estava alagada, mas combinando perfeitamente com o paisagismo dele. Encerramos nossa visita no belo Jardín Japonés que mesmo sem suas flores continua sendo um lugar extremamente agradável. Nossos planos eram aproveitar nossa última noite sem chuva na cidade para ir a Puerto Madero, mas o cansaço e a arrumação das mochilas não nos permitiram…

Calle Caminito

Calle Caminito

Amanheceu nosso último dia na cidade e fui apresentar La Boca a Vanessa. Dei calote de uma passagem no ônibus, pois esqueci as moedas no hotel, mas o motorista me entendeu na boa e conseguimos descer no porto do bairro. Passeamos pela Calle Caminito e tiramos muitas fotos coloridas. Ainda deu pra trocar uma ideia com o argentino fanático pelo Boca que quando descobriu que eu era vascaíno começou a cantar “vou torcer pro Vasco ser campeão…” e relembrou com muita alegria a eliminação do River Plate com o gol do Juninho. Bem legal!

Seguimos de lá até San Telmo curtindo as ruas desertas, porém tranquilas, do bairro. Assim como Luján, San Telmo era um local que ainda não conhecia. Me encantei com o bairro! A aura de bairro residencial, antigo e boêmio é marcante, acho que pode ser um bom bairro pra se hospedar. Caminhamos por algumas ruas até a Plaza Dórrego onde comemos um prato ruim no El Balcón, mas que nos permitiu assistir uma bonita apresentação de tango. Voltamos andando em direção à Plaza de Mayo e de lá até Puerto Madero, o porto que dá nome à linda área portuária recuperada. Passeamos um pouco, tiramos fotos do porto e da Puente de La Mujer que não atravessamos porque já estávamos atrasados para pegar o ônibus rumo à Cordilheira!

Buenos Aires

Buenos Aires

Colonia del Sacramento

14 abr

Esquina em Colonia

Esquina em Colonia

Chegamos em Colonia no meio da tarde onde iríamos ficar por dois dias. Deixamos as coisas no albergue e fomos conhecer o centro histórico da cidade. Como em meia hora fechariam os museus, decidimos apenas caminhar e conhecer as bacanas rua da cidade.

Colonia del Sacramento tem uma história curiosa. Foi fundada pelos portugueses em pleno Rio da Prata e por séculos disputada pelos impérios espanhol e português, pois era um importante porto da região, tanto pela distribuição de materiais quanto pela posição estratégica. Até o império brasileiro chegou a dominar a cidade. Por fim, após um último acordo, a cidade passou a fazer parte do Uruguai pouco após sua independência da Espanha. Por essas diversas colonizações, a cidade uniu estilos da arquitetura colonial portuguesa e espanhola e hoje considerada como um Patrimônio da Humanidade.

El Faro e as ruínas do Convento de San Francisco

El Faro e as ruínas do Convento de San Francisco

Fomos andar pela cidade e perambulamos por todo o centro. Cada nova esquina apresentava novos ângulos de uma beleza arquitetônica histórica única para a região. Renderam lindas fotos! Conhecemos o Muelle 1866, o Convento de San Francisco, o farol, a Plaza Mayor, a famosa Calle de Los Suspiros, o Portón de Campo, que conserva os restos da antiga muralha da cidade e seu portão principal, e a Basílica del Santíssimo Sacramento. Tudo muito bonito! Os museus realmente ficaram para o dia seguinte.

Ficamos hospedados no no El Viajero Hostel & Suites Colonia. É um bom albergue, muito limpo, com um quarto confortável que conta com ar condicionado e um banheiro bonzinho. A TV é bem fraca, mas não estávamos lá para ficar vendo TV. É um albergue calmo, tranquilo e com um bom preço, o que combina bem com a cidade. Possui uma ótima localização também, a uma quadra da avendida principal e a duas do centrinho histórico. Uma coisa chata, que parece ser regra de todos os albergues da rede El Viajero, é ter que usar uma fita no braço de identificação de hóspede do albergue por motivos de segurança. A fita não combina nenhum pouco com o romantismo da cidade.

Quando planejamos a viagem, decidimos que ficaríamos uma noite na cidade, coisa que poucos fazem quando passam pela cidade. Decidimos baseado em relatos de passagem de alguns casais pela cidade. Não deu outra, foi uma aposta certeira! A cidade fica magnífica à noite, com seus postes baixos iluminando-a de forma extremamente romântica. Imperdível! Os casais que por aqui passaram e não conheceram a cidade à noite, não podem falar que a conheceram de verdade.

Portón de Campo

Portón de Campo

Jantamos na Pulperia de Los Faroles, um dos restaurantes próximos à Plaza Mayor que possui música ao vivo e mesas na rua à luz da lua e de velas. Bem romântico! Jantamos um delicioso lomo com um Don Pascual de uva tannat, bom, mas não grande coisa. Essa noite teve acontecimentos engraçados que os mais íntimos já conheceram, mas terminou em um pedido de casamento emocionante sob o Portón de Campo – o antigo portão da cidade.

Mapa de Colonia, Museo del Azulejo

Mapa de Colonia, Museo del Azulejo

Dia seguinte, pela manhã, tentamos chegar à Zona Franca de Colonia, mas não conseguimos. No caminho vimos a Intendencia Municipal e a Feria Artesanal. Voltamos ao albergue e fechamos nossa conta, deixamos as mochilas por lá e seguimos para o circuito de museus da cidade. Fomos ao Museo Municipal onde compramos nossos bilhetes para visitar os museus, mas não o visitamos porque estava fechado. Conhecemos a Casa del Virrey, o Museo Portugués, que sem dúvidas é o melhor deles, o Museo Español, o Museo Indígena e o Museo del Azulejo, que é bem interessante. Todos os museus são pequenos e se conhece cada um em menos de meia hora. Pouco mais de duas horas já havíamos conhecido todos os que estavam aberto. Sim, porque há um rodízio no qual sempre há dois museus fechados por dia. Depois caminhamos para comprar alguns souvenirs e opção de loja para comprar isso é o que não falta na cidade. Tem muita coisa interessante.

Antes de ir pegar o buquebus até Buenos Aires, almoçamos uma famosa pizza quadrada de Colonia no ?. Recomendo experimentá-la, seja neste ou em outro restaurante na avenida principal. É totalmente diferente da pizza uruguaia, tem um bom preço e é gostosa. Já no buquebus, passamos no Tax Free e nos registramos para receber o reembolso do IVA. De lá seguimos para um novo país em nossa viagem, a Argentina!

Colonia del Sacramento

Colonia del Sacramento

Montevideo

7 abr

Plaza Independencia

Plaza Independencia

Chegamos na rodoviária Tres Cuces, em Montevideo, por volta das 18h30. De lá pagamos $160 em um remise até nosso hotel no Barrio Sur, colado na Ciudad Vieja. Era uma sexta-feira, mas apesar do horário, não havia trânsito. A primeira impressão que tivemos da região central da cidade era de decadente e abandonada.

Nos hospedamos no Sur Hotel que foi um ótimo achado! Para quem pensa em se hospedar na região central, ele é próximo da Av. 18 de Julio, a avenida principal do centro de Montevideo, e distante algumas quadras da área turística. Quarto confortável mesmo que pequeno e um excelente banheiro, coisa que é difícil de se achar na cidade, mesmo pagando mais caro. Tomamos um banho e fomos até a praia para ver o pôr do sol e notamos que a orla da região central da cidade gera um clima de insegurança durante a noite. Jantamos um delicioso entrecot, um corte típico uruguaio que se refere à bisteca do boi, no ótimo restaurante Parrilla Sur acompanhando pela TV o desfile de pré-carnaval uruguaio que acontecia naquele momento a algumas ruas dali, na avenida principal. Recomendadíssimo esse restaurante – pratos muito bons a um preço bacana!

Puerta de La Ciudadela

Puerta de La Ciudadela

Dia seguinte, fomos conhecer o centro da cidade. Começamos pela Plaza Independencia, a principal praça do centro da cidade e onde se encontra a enorme estátua do General Artigas e a Puerta de La Ciudadela. Artigas foi um famoso heroi da independência uruguaia, por isso dá nome a diversas ruas e seu rosto está sempre representado nas principais praças do país. De lá, seguimos para o Museo Torres García, pela Peatonal Sarandí, uma rua para pedestres que corta toda a Ciudad Vieja. O museu mostra a trajetória artística do artista uruguaio mais conhecido e que dá nome ao museu, além de outras exposições temporárias. De lá fomos até a Plaza Constitución onde visitamos a bonita Catedral, o Museo Gurvich e a feirinha de antiguidades.

Da praça, continuando a caminhada pela Sarandí, pode-se virar na Calle Pérez Castellano para ir ao Mercado del Puerto. Descobrimos somente depois que este caminho é o indicado para turistas pelo próprio governo. Como ficamos rodando por esta região passando por praças e construções históricas como a Casa de Lavalleja, o Museo Romantico e o Museo del Descubrimiento – todos fechados -, acabamos entrando algumas ruas antes da indicada em direção ao porto e, ao chegar na Rambla 25 de Agosto, a avenida onde ele se encontra, caminhando na direção do mesmo, vimos dois pivetes com pedaços de pau do outro lado da rua olhando e andando no mesmo passo que a gente. Fiquei ligado como carioca que sou. Quando um deles ameaçou atravessar a rua, coincidentemente passou e parou um ônibus que nos serviu de corta-luz para darmos meia volta. Quando o ônibus andou já tínhamos nos distanciado, mas deu pra ver um deles no meio da rua e o outro voltando para a calçada do lado de lá. Acho que foi por pouco que não fomos assaltados…

Depois da confusão, desistimos de tentar outro caminho para ir até o porto. Uma pena, pois era sábado e era um dos programas que estava mais animado para fazer na Ciudad Vieja. Voltamos para as vias principais e fomos conhecer a região próxima da Plaza Independencia com mais calma. Fomos ao Teatro Solis e, pensando que o Mercado Municipal era interessante como muitos falavam por aí, fomos até ele. O lugar está totalmente abandonado e seu entorno é habitado por vários mendigos. Não vá até lá, não é legal! A única coisa que tem por ali, mas só à noite, é o Baar Fun Fun que tem um tango super tradicional de quinta-feira a sábado e duas bebidas inventadas pela casa – a uvita e o pergulo. Carlos Gardel inclusive criou um tango em homenagem à uvita! Pena que estava fechado para obras durante nosso tempo de estadia por lá.

Teatro Solis

Teatro Solis

Voltamos pela 28 de Julio até o ponto de ônibus onde estes passavam rumo ao Parque Rodó, onde descemos. O parque é bem bonito e serviu como um gostoso descanso. Visitamos o bacana Museo de Artes Visuales e voltamos para o hotel caminhando pela orla curtindo a bela e arborizada rambla e o entardecer… É uma linda caminhada pela orla bem cuidada desta região de Montevideo. À noite, saímos para conhecer o lado boêmio de Montevideo, mas acabamos ficando pela 28 mesmo, onde estava rolando o desfile de pré-carnaval. Foi bastante divertido, mas não tem nada a ver com nosso carnaval… Jantamos no tradicional La Pasiva e, sinceramente, não curtimos. Caro e a comida não pareceu ser grande coisa.

Dia seguinte fomos até a Bodega Bouza. Tínhamos planejado inicialmente ir até a Carrau, mas esta não abre nos fins de semana. Para chegar à Bouza é fácil, basta pegar um ônibus até a Plaza Colón e de lá pegar o ônibus L11, que passa de hora em hora, ou ir de táxi. Pegamos o 130 na Ciudad Vieja, na Calle Mercedes próximo à Calle Río Negro, e descemos na Plaza Colón. Aqui demos mole para pegar o L11, pois ficamos esperando no ponto em que ele passa quando está voltando. O certo é esperá-lo no mesmo ponto em que se desce, próximo à praça. Nesta confusão, com o horário da reserva se aproximando, acabamos pegando um táxi que nos cobrou $160. A Bodega Bouza é linda! Ficamos encantados com o lugar. É uma bodega boutique que conta com um belo restaurante, lindos jardins, um museu particular de carros antigos e, claro, milhares de parreiras de uva. A degustação é um pouco cara, $500, mas inclui a degustação de 4 vinhos e uma tábua de frios. Foram servidos um vinho branco, um rosé e dois tintos, sendo um deles da famosa uva uruguaia tannat. O que mais me chamou a atenção foi o branco, delicioso!

Bodega Bouza

Bodega Bouza

Para voltar, pegamos novamente um táxi até a Plaza Colón que, desta vez, saiu por $110. De lá pegamos novamente o 130 e descemos no hotel para guardar as duas garrafas compradas. Caminhamos um pouco pela 28, olhando algumas lojas de artesanato, e fomos até a rodoviária comprar nossas passagens para Colonia. De lá fomos andando até o Estadio Centenario. Infelizmente ver o museu do estádio depende de sorte, pois somente um rapaz trabalha no museu e ele não possui horário. Tivemos que nos contentar em ver apenas o interior do estádio sem o museu.

Do estádio pegamos um ônibus até Punta Carretas para conhecer um pouco do bairro e o shopping. É um bonito bairro, com prédios mais bonitos e modernos do que as áreas centrais da cidade e uma praia – nivelando por Montevideo – bonita. Nos perdemos um pouco por lá conhecendo o bairro e seguimos para a praia, de onde voltamos para o hotel e fomos jantar novamente no Parrilla Sur. Realmente gostamos deste restaurante! Foi o dia que mais curtimos Montevideo!

Dia seguinte, nosso último dia na cidade, complementamos nosso café da manhã na deliciosa Confitaria Montes como um típico casal uruguaio. Porém, era hora de partir para nossa próxima parada… Pegamos nossas coisas e seguimos para a rodoviária.

Montevideo

Montevideo

Punta del Este

31 mar

La Mano

La Mano

Entramos no Uruguai saindo de Porto Alegre em ônibus da TTL em uma viagem de duração de 9h30 que ocorreu de certa forma tranquila, apesar da chuva nas estradas gaúchas. O ônibus custou R$ 149 e fez todos os trâmites aduaneiros na fronteira, não precisando descer do ônibus para resolver nada. Por volta das 6h30 já estávamos em Punta del Este. Nosso primeiro dia foi bastante cansativo, pois como o check-in no albergue só seria possível após as 14h, apenas deixamos nossas mochilas por lá e fomos perambular pela cidade debaixo de um frio absurdo. Nem parecia verão na cidade! O vento era gélido demais.

Fomos até o monumento La Mano, na Playa Brava, onde tiramos algumas fotos solitárias, afinal só encontrávamos poucos trabalhadores e pessoas voltando das noitadas pelas ruas. Pena que o sol não estava firme e ventava horrores. A partir de La Mano, seguimos contra o vento pelo litoral dando a volta na península até sair do outro lado, na Playa Mansa. Foi um passeio muito gostoso onde vimos as pequenas praias El Emir, Los Ingleses, La Salina, Las Mesitas e o lindo porto, onde ficam atracadas as luxuosas embarcações de Punta. Infelizmente não vimos nenhum lobo marinho. Relaxamos um pouco debaixo de uma das belas palmeiras na praia para passar o tempo e pegar um sol e logo seguimos para almoçar no Burguer King, pois a maioria dos restaurantes ainda servia o café da manhã, mesmo já sendo 13h! Realmente o horário de Punta é muito louco…

Nos hospedamos no El Viajero – foi o melhor albergue que ficamos em toda a viagem, sem dúvidas! O quarto é bom, com ar condicionado e ótima TV, além de um banheiro limpo e confortável, com uma ducha excelente! O café da manhã é bom, apesar de ter que lavar os pratos e talheres utilizados após o mesmo. À noite, o albergue é bastante animado e o bom é que não atrapalha quem só deseja dormir. A equipe não é a das mais simpáticas e a obrigação de te que usar uma pulseira para identificar quem está hospedado ali, apesar de aparentar mais segurança no local, é um saco!

Playa Mansa e o Conrad

Playa Mansa e o Conrad

Depois do almoço voltamos para o albergue onde arrumamos as coisas e seguimos para a Playa Mansa passando pelo famoso e luxuoso Hotel e Casino Conrad. Na praia foi engraçado observar as pessoas curtindo o sol, pois todos os homens estavam de bermudas. Somente eu, uma criança e um coroa tivemos coragem de ficar de sunga. A sensação é de que estava quase nu e de que todo mundo me observava! Depois de aproveitarmos um pouco a praia, fomos até a rodoviária pegar um ônibus até a Casa Pueblo aproveitando o bom tempo. O ônibus que passa por lá é o mesmo que vai até Montevideo e é parador. Em meia hora estávamos descendo na rodovia, onde há um mirante de onde se pode curtir o visual de Punta Ballena. Seguimos pela estrada de terra a pé até a Casa Pueblo. O caminho a pé dura em torno de 15 a 20 minutos, mas por sorte, depois de caminharmos menos de 5 minutos, um casal de brasileiros de carro parou para nos pedir informação e acabou nos dando uma carona até nosso destino! A Casa Pueblo funciona como hotel, oficina de arte e ainda é residência do artista Carlos Villaró, um dos mais importantes artistas uruguaios e quem projetou a casa. Ficamos com o casal Agna e Fernando aguardando o pôr do sol, mas minutos antes uma nuvem resolveu entrar no caminho do sol, encobrindo-o. Mesmo assim foi bonito, mas foi uma pena!

Dia seguinte, pegamos um ônibus e fomos até a Playa Bikini e Mantiales. São praias bonitas pela combinação mar, areia, arquitetura e luxo. Como chegamos pela manhã, ainda encontramos a praia vazia – retrato diferente do que vimos no final do dia. Curtimos o sol e reparamos que os quiosques da praia só abrem por volta de 14h! E realmente é nessa hora que começa a chegar um pouco mais de gente na praia. De Manantiales seguimos para Jose Ignacio, que possui também um praia brava e uma mansa. A brava é super movimentada e possui um bonito visual, ao contrário da mansa, recheada de pedras no mar e com uma faixa de areia curta. Essa região é uma mistura de luxo com rústico bem bacana, mas cara e bem distante de Punta pra quem estava de ônibus como a gente. Decidimos andar um pouco pelas pequenas e poucas ruas e curtir um pouco da praia antes de voltar para La Barra onde almoçamos em um restaurante mais em conta acompanhados de uma boa Patrícia. De lá fomos curtir o visual da ponte ondulada e seguimos de ônibus de volta ao centrinho de Punta. Chegamos perto da hora do sol se pôr e aproveitamos pra ir vê-lo do outro lado da península. Foi lindo ver o sol se pôr no mar…

Nesta noite tínhamos planejado sair, mas acabamos chapados de sono e só acordamos às 1h da manhã sem a menor vontade de sair. Como a fome era negra, resolvemos sair apenas para comer. As ruas já estavam desertas com quase todos os restaurantes fechados ou fechando as portas. Decidimos por jantar no Il Mondo della Pizza, já que não havia muitas opções, mas foi uma péssima escolha. Queríamos gastar pouco, mas além de não conseguirmos, pagamos a Coca-Cola mais cara de toda nossa viagem – R$16 um litro! Um assalto… E o pior é que era refrigerante de máquina… A pizza também não é legal…

Playa Brava

Playa Brava

Em nosso último dia em Punta, aproveitamos pra passear mais uma vez pelas ruas do centrinho, comprar algumas lembranças e depois relaxar um tempo na Playa Brava. Almoçamos no aconchegante Virazón, no início da Playa Mansa, onde comemos um pescado – um brótola, peixe tradicional da região – acompanhado de um clericot, uma espécie de sangria feita com vinho branco, uma mistura de frutas e muito gelo. É um costume bem comum tomar um desses em um dia quente e é deliciosamente refrescante! Passeamos mais um pouco e tomamos nosso rumo para Montevideo!

Punta del Este

Punta del Este

Mochilao por Uruguai, Argentina e Chile

13 mar

Nos meses de janeiro e fevereiro caí mais uma vez na estrada com meu mochilão nas costas! Nada melhor do que relatar as experiências vividas depois de um longo sumiço do blog. Sumi por motivos de uma pós-graduação que finalmente terminou e foi bem comemorada com esta viagem.

Foi minha quarta viagem para fora do Brasil e, pela primeira vez, consegui ir com minha namorada. Passamos 21 dias em territórios de língua espanhola muito bem aproveitados. Valeu muito a pena ter visitado novamente a Argentina e o Chile e ter conhecido o Uruguai.

Para a viagem, fui com tudo planejado como sempre. Planejei quais atrações e locais que iria visitar na viagem, quantos dias em cada um, onde me hospedar, quanto gastar com alimentação, passeios e transporte e uma pequena margem para alterar uma coisas ou outra durante a viagem. A princípio achava que deveria terminar a viagem em Punta del Este, cidade que achei que seria o ápice da viagem devido a conhecer grande parte das outras, mas nem foi. Acho que todas as cidades tiveram muitos pontos altos e pouquíssimos pontos baixos.

Vou detalhar nos próximos posts minha passagem por Punta del Este, Montevideo, Colonia del Sacramento, Buenos Aires, Mendoza e Santiago. Todos os valores vão estar expressos em pesos locais, seja uruguaio, argentino ou chileno, salvo quando houver o R, de reais, na frente do cifrão ou US, significando dólares norte-americanos. Na época da viagem, UM real equivalia a cerca de 12,50 pesos uruguaios, 2,56 pesos argentinos, 333 pesos chilenos e cerca de 0,55 dólares norte-americanos. Nosso gasto total foi de R$5.100, ou seja, R$2.550 para cada um.

Agradeço aos amigos e conhecidos que ajudaram, principalmente à galera do Mochileiros!

Mapa do roteiro de 21 dias por Uruguai, Argentina e Chile

Mapa do roteiro de 21 dias por Uruguai, Argentina e Chile