
Vista de Buenos Aires
Atravessamos de Colonia del Sacramento até Buenos Aires com a empresa Seacat. Atravessar o Rio da Prata foi uma experiência gostosa, tranquila e rápida – em menos de uma hora já estávamos em solo argentino. A empresa é boa pelo preço, mas o barco não é lá grandes coisas, modelo similar aos aerobarcos que fazem a travessia Rio-Niterói e Salvador-Itaparica. A passagem custou UR$ 818.
Do porto pegamos um táxi até o Portal del Sur, albergue na região central de Buenos Aires próximo ao Café Tortoni e à Plaza de Mayo. À primeira vista, o albergue assusta, pois fica em um prédio antigo e a entrada é feia e com muito fedor de cigarro. Porém, uma vez lá dentro, a aparência é outra bem diferente. Parte do albergue é baseada no conceito de albergue-boutique, bem bacana. O espaço do terraço também é muito bom pra tomar uma cerveja e relaxar ao som de uma boa música. Ficamos em um quarto boutique desses para casal. O quarto é bem bonito, com ar condicionado (um pouco temperamental), boas camas e TV, só o banheiro que é bem ruim – um cheiro insuportável de mofo devido a um espelho velho e um box tão apertado que não tinha como tomar banho sem encostar na cortina ou na parede, além do chuveiro que jogava água pros lados ao invés de para baixo. O banheiro desanimou, mas poderia ser suportado por alguns dias. Porém tivemos um problema grave que conto mais a frente…
Saímos para jantar e ficamos um pouco ligados, pois havia poucas pessoas na rua e estranhamente quase tudo estava fechado. Andando nas outras noites por ali percebemos que o motivo era ser segunda-feira. Acabamos comendo no Mc Donald’s, uma das poucas coisas abertas.

Casa Rosada
Como não era a minha primeira vez em Buenos Aires, apenas da Vanessa, me organizei para levá-la no que considero as melhores atrações e os pontos obrigatórios. Assim, iniciamos o dia pela Plaza de Mayo, passando pela Casa Rosada e a Catedral, onde acabamos vendo a troca da guarda do túmulo de San Martín! De lá seguimos pela Avenida de Mayo, cruzamos a 9 de Julio e chegamos à Plaza del Congreso que, apesar de não me interessar muito, estava em obras quando a conheci. Me surpreendeu, está bem bonita e cuidada. Outro interesse nosso por aqui era o Ibis, caso não conseguíssemos viver com o banheiro do albergue. Ainda bem que fizemos isso…

Obelisco
Do congresso seguimos para a fraternal Plaza Lavalle onde se encontra o Teatro Colón. Nossa ideia era conhecer o teatro por dentro, mas como o próximo horário disponível era só em duas horas e o preço estava surreal, desistimos. Seguimos até o Obelisco para tirar uma tradicional foto neste marco da cidade. Fomos pela Avenida Corrientes até o Teatro San Martín, que tinha gostado muito em minha visita anterior, mas desta vez a exposição estava caidíssima e com o calor que estava Buenos Aires, não rolou nem um café pra valer a visita ao local.

Torre de Los Ingleses
Andamos pela Calle Lavalle até a Calle Florida, rua obrigatória pra quem está na cidade, ainda mais se for do sexo feminino! Lotada como sempre, então tem que estar sempre ligado. Vimos um rapaz ser preso em flagrante… Passeamos pelas lojas, pela bela Galerias Pacífico e acabamos almoçando nesta região mesmo, no Capataz, que não foi barato e razoável. Fomos mais por falta de opção naquele momento em que a fome tinha apertado. De lá, seguimos pela Florida até a Plaza San Martín onde tiramos algumas fotos da praça e seu entorno, inclusive a Torre de Los Ingleses e o Monumento a Los Caídos en Malvinas. Fomos à rodoviária comprar nossas passagens para Mendoza e fiquei espantado com a favelização do local, aumentou demais em relação a 5 anos atrás. A rodoviária também era mais organizada.
Depois de passearmos mais um pouco pela Florida, Vanessa comprar algumas coisas e tomar um café tipo americano na Havanna, que por sinal, não curti muito, caiu uma tempestade na cidade. Choveu forte por cerca de 2 horas e alagou muitas ruas. Ficamos completamente encharcados! E o pior de tudo foi chegar no albergue e descobrir que nosso quarto estava alagado, com tudo o que estava no chão, molhado – inclusive nossos mochilões. O meu não molhou nada dentro, mas o dela deixou úmidas as roupas que estavam em contato com a parte molhada. Sugeriram nos remarcar para um quarto coletivo onde já havia um rapaz enquanto fariam o conserto do quarto para o dia seguinte. O pessoal foi super atencioso conosco, mas, sinceramente, não havia condições deles consertarem toda uma estrutura de madeira em um dia e, como já não tínhamos gostado de algumas, aproveitamos para mos mudar sem pagar a diária. Soubemos inclusive que o problema já ocorria a pelo menos 2 meses. Eles foram tão atenciosos que acabamos esquecendo de negociar o pagamento da primeira diária, afinal tínhamos coisas molhadas e precisavam ser secas…
O caos estava instalado na cidade. Os jornais mostravam partes da cidade inundadas. Tentamos chamar um táxi para sair do albergue, mas a previsão de espera era de 1h30.Tomamos uma Quilmes enquanto esperávamos a chuva diminuir e decidíamos o que fazer, afinal já passava das 22h. Quando virou um chuvisco, pegamos nossas coisas e fomos até o Ibis da Plaza del Congreso de metrô. Apesar da reforma que havíamos visto durante o dia que mudaram para melhor o clima do local, à noite e com chuva os mendigos concentram-se embaixo das marquises, ou seja, na calçada. Andamos um pouco tensos pelo local, mas chegamos tranquilamente no hotel.
O Ibis Buenos Aires, na Plaza del Congreso, é um hotel de bom custo benefício na cidade. Custou R$ 5 a mais do que o albergue, mas neste valor não estava incluído o café da manhã. O quarto e o banheiro são excelentes, com certeza foi a melhor hospedagem da viagem. Tudo muito limpo. Inclusive fomos bem atendidos pela recepcionista que se esforça em falar português. Realmente só o que não achei bom foi a localização que não é ruim, mas o outro Ibis é muito melhor localizado.

Cementerio de La Recoleta
Amanheceu e fomos tomar café da manhã em uma gostosa padaria próxima ao hotel, a Soy y Luna. Gostamos tanto de lá e do atendimento que foi onde também tomamos café nos dias seguintes. Resolvemos nesse dia atravessar o Centro até a Recoleta. Fomos ao Buenos Aires Design e ao Museo de Bellas Artes. O museu, que já havia gostado da outra vez, está todo reformado e bem cuidado, ou seja, melhor do que esperava. Foi muito bom revisitar obras de El Greco, Kandinsky, Monet, Rembrandt e Van Gogh, entre muitos outros. Subimos até a Basílica Nuestra Señora del Pilar e ao Cementério de La Recoleta que apenas entramos rapidamente, pois eu já o conhecia bem e a Vanessa não se interessou muito. Passeamos um pouco pelo bairro, comemos e fomos até o MALBA que, mais uma vez, se mostrou realmente ser o melhor museu da cidade. Além de revisitar as obras fantásticas do museu como as de Tarsila, Rivera e Xul Solar, estava rolando uma exposição encantadora do artista Carlos Cruz-Diez, que estuda as cores de forma que nunca havia visto antes. Fomos a um shopping ali por perto e tentamos ir ao Jardín Japonés que já havia fechado. Tentamos ir ao Museo Evita também, mas não estava aberto naquele dia por um evento político. Desistimos e voltamos para nosso hotel, pois o tempo já estava fechado novamente. Não deu outra, pé d’água de novo e a cidade em mais caos que o dia anterior. Por sorte só pegamos chuva da estação de metrô até a entrada do hotel. Jantamos no hotel por falta de opção já que mais uma vez era impossível sair.

Zoo de Luján
Tentamos acordar cedo para ir a Luján, mas não conseguimos. Acabamos chegando só às 10h na Plaza Itália, de onde saem os ônibus para Luján. Por sorte conseguimos pegamos o das 10h15, pois agora saem a cada meia hora. A viagem até lá é bem cansativa e demora quase 2h. O Zoo de Luján é um zoológico onde se pode entrar na jaula de diversos bichos. A entrada é cara e custa $50, mas vale cada centavo! Ficamos no zoológico por cerca de duas horas e meia. Visitamos todos os animais possíveis, assim como também entramos em todas que eram permitidas, entre as quais se destacaram as dos tigres, leões, leoas e do elefante! Fantástico!

Parque 3 de Febrero
Voltamos para Buenos Aires pegando o mesmo ônibus que viemos. A van que de vez em quando passa por lá e pode ser agendada custa $26 cada perna e o ônibus $10. Descemos no ponto final, na mesma Plaza Itália, e fomos andar novamente por Palermo. Fomos ao parque que mais curto na cidade, o 3 de Febrero, passando pelo Rosedal. Devido às chuvas, uma parte estava alagada, mas combinando perfeitamente com o paisagismo dele. Encerramos nossa visita no belo Jardín Japonés que mesmo sem suas flores continua sendo um lugar extremamente agradável. Nossos planos eram aproveitar nossa última noite sem chuva na cidade para ir a Puerto Madero, mas o cansaço e a arrumação das mochilas não nos permitiram…

Calle Caminito
Amanheceu nosso último dia na cidade e fui apresentar La Boca a Vanessa. Dei calote de uma passagem no ônibus, pois esqueci as moedas no hotel, mas o motorista me entendeu na boa e conseguimos descer no porto do bairro. Passeamos pela Calle Caminito e tiramos muitas fotos coloridas. Ainda deu pra trocar uma ideia com o argentino fanático pelo Boca que quando descobriu que eu era vascaíno começou a cantar “vou torcer pro Vasco ser campeão…” e relembrou com muita alegria a eliminação do River Plate com o gol do Juninho. Bem legal!
Seguimos de lá até San Telmo curtindo as ruas desertas, porém tranquilas, do bairro. Assim como Luján, San Telmo era um local que ainda não conhecia. Me encantei com o bairro! A aura de bairro residencial, antigo e boêmio é marcante, acho que pode ser um bom bairro pra se hospedar. Caminhamos por algumas ruas até a Plaza Dórrego onde comemos um prato ruim no El Balcón, mas que nos permitiu assistir uma bonita apresentação de tango. Voltamos andando em direção à Plaza de Mayo e de lá até Puerto Madero, o porto que dá nome à linda área portuária recuperada. Passeamos um pouco, tiramos fotos do porto e da Puente de La Mujer que não atravessamos porque já estávamos atrasados para pegar o ônibus rumo à Cordilheira!

Buenos Aires